O Espírito de Deus é Livre!

Domingo XXVI do Tempo Comum (B)
1ª Leitura - Do Livro dos Números
O Senhor desceu na nuvem e falou-lhe; tomando do espírito que estava sobre ele, deu-o aos setenta anciãos. Quando o espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas depois não o conseguiam. Dois desses homens tinham ficado no acampamento. O nome de um era Eldad e o nome do outro era Medad. O espírito desceu também sobre eles, porque estavam entre os inscritos, embora não tivessem ido para a tenda, e começaram a profetizar no acampamento.
Um rapaz, porém, correu a anunciar isso a Moisés: «Eldad e Medad estão a profetizar no acampamento.» Então Josué, filho de Nun, servo de Moisés desde a juventude, ripostou: «Moisés, meu senhor, não lho consintas.» Respondeu-lhe Moisés: «Tens ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor profetizasse, que o Senhor enviasse o seu espírito sobre ele!»
2ª Leitura - Da Carta de Tiago
E agora vós, ó ricos, chorai em altos gritos por causa das desgraças que virão sobre vós. As vossas riquezas estão podres e as vossas vestes comidas pela traça. O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem servirá de testemunho contra vós e devorará a vossa carne como o fogo. Entesourastes, afinal, para os vossos últimos dias! Olhai que o salário que não pagastes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos está a clamar; e os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do universo! Tendes vivido na terra, entregues ao luxo e aos prazeres, cevando assim os vossos apetites… para o dia da matança! Condenastes e destes a morte ao inocente, e Deus não vai opor-se?
3ª Leitura - Do Evangelho de Marcos
Disse-lhe João: «Mestre, vimos alguém expulsar demónios em teu nome, alguém que não nos segue, e quisemos impedi-lo porque não nos segue.» Jesus disse-lhes: «Não o impeçais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome e vá logo dizer mal de mim. Quem não é contra nós é por nós. Sim, seja quem for que vos der a beber um copo de água por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa. E se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor seria para ele atarem-lhe ao pescoço uma dessas mós que são giradas pelos jumentos, e lançarem-no ao mar. Se a tua mão é para ti ocasião de queda, corta-a; mais vale entrares mutilado na vida, do que, com as duas mãos, ires para a Geena, para o fogo que não se apaga. Se o teu pé é para ti ocasião de queda, corta-o; mais vale entrares coxo na vida, do que, com os dois pés, seres lançado à Geena. E se um dos teus olhos é para ti ocasião de queda, arranca-o; mais vale entrares com um só no Reino de Deus, do que, com os dois olhos, seres lançado à Geena, onde o verme não morre e o fogo não se apaga.»
Comentário às Leituras
O Espírito de Deus é Livre!
I. Já no fim da viagem do Êxodo do Povo de Israel, Moisés ficou desanimado e cansado. Então, Deus mandou-o escolher setenta anciãos entre o Povo, aos quais enviaria o Seu Espírito de Sabedoria e Profecia para que o caminho da Libertação continuasse. Este é o contexto da primeira leitura.
Aconteceu que, no dia da Cerimónia, dois dos escolhidos não foram à Tenda da Reunião, que era como que o “Templo ambulante” do Povo no deserto. No entanto, receberam o mesmo Espírito e começaram a profetizar ali mesmo no acampamento em que tinham ficado! Josué, que viria a ser o sucessor de Moisés na condução do Povo, pediu-lhe que os proibisse de profetizar porque não tinham estado com eles na Tenda nem na Cerimónia.
É a atitude típica do sectarismo religioso ou do fanatismo, sempre inspirado pelo ciúme. O fanatismo é cioso da sua própria exclusividade na relação com Deus, e não admite que a acção do Espírito possa acontecer “fora da sua Tenda e para além das suas cerimónias”: Certamente entendemos bem os símbolos…
II. O início do Evangelho de hoje fala-nos exactamente disto! Alguém usava o nome de Jesus para “expulsar demónios” e os discípulos queriam proibi-los porque “não andava com eles”. Sempre o mesmo problema, que é a tentação de querer “possuir” o Espírito de Deus em vez de deixar-se possuir por Ele!
Do Espírito Santo, Jesus disse que “é como o vento, ninguém sabe de onde vem nem para onde vai…” (Jo 3, 8) O Espírito de Deus não se deixa aprisionar em nenhum tipo de estrutura nem se deixa domesticar por nenhum tipo de poder; não é domínio de ninguém nem privilégio de nenhum grupo!
Todo aquele que se compromete com a causa da libertação do Homem (é isso que significa “expulsar demónios”) está a ser fiel aos apelos do Espírito Santo no seu íntimo, ainda que não Lhe conheça o nome.
Nenhuma espécie de fanatismo ou fundamentalismo religioso pode nascer por inspiração do Espírito de Deus. Nenhum movimento sectário pode ser instrumento da sua acção!
O Espírito de Jesus Ressuscitado ultrapassa todas as fronteiras: rácicas, culturais, religiosas, eclesiais…
A missão dos Discípulos de Cristo é, confiados na certeza da Sua presença ressuscitada entre nós e conhecedores da Boa Notícia da Liberdade do Espírito Santo, criar contextos comunitários de experiência teologal de Fé, Esperança e Amor e tornarmo-nos uma frente universal empenhada na Causa Libertadora do Homem à qual chamamos Reino de Deus!
Os nossos encontros fraternos no Espírito chamam-se Sacramentos e as nossas leis chamam-se Bem Aventuranças.

Na segunda parte do evangelho de hoje, Jesus dá-nos alguns critérios de fidelidade utilizando linguagem muito concreta que podemos perceber assim:
- “todo aquele que der um copo de água…”: há muita gente, que não pertence ao grupo dos discípulos de Cristo, capaz de partilhar os seus dons e fazer o bem. Pois também neles é o Espírito Livre de Cristo que inspira e recompensa o bem!
- “não escandalizar os pequenos…”: que ninguém se afaste de Cristo por causa do nosso mau testemunho, principalmente aqueles que estiverem mais dependentes da nossa mediação para esse encontro.
- “o que for em ti causa de escândalo, corta…”: linguagem dura que apela à Sabedoria de cortarmos os ritmos, as atitudes, os hábitos ou os medos que nos fazem cair na caminhada de fidelidade ao Evangelho. Significa a maturidade de fazer opções sábias, que implicam muitas vezes rupturas e escolhas decisivas e difíceis.
III. É também esta linguagem da Sabedoria e das escolhas decisivas que fala Tiago na segunda leitura: a condenação duríssima que é feita aos ricos (os que têm o Coração fechado à partilha e aos outros porque vivem em função de si próprios) é um apelo à conversão do Coração no sentido da generosidade e da partilha, derrotando o egoísmo que não faz mais nada senão preparar um enorme manjar para a traça e a ferrugem!

A verdadeira Grandeza

Domingo XXV do Tempo Comum (B)
1ª Leitura - Do Livro da Sabedoria
Armemos laços ao justo porque nos incomoda, e se opõe à nossa forma de actuar. Censura-nos as transgressões da Lei, acusa-nos de sermos infiéis à nossa educação. Vejamos, pois, se as suas palavras são verdadeiras, e que lhe acontecerá no fim da vida. Porque, se o justo é filho de Deus, Deus há-de ampará-lo e tirá-lo das mãos dos seus adversários. Provemo-lo com ultrajes e torturas para avaliar da sua paciência e comprovar a sua resistência. Condenemo-lo a uma morte infame, pois, segundo ele diz, Deus o protegerá.»
2ª Leitura - Da Carta de Tiago
Pois, onde há inveja e espírito faccioso também há perturbação e todo o género de obras más. Mas a sabedoria que vem do alto é, em primeiro lugar, pura; depois, é pacífica, indulgente, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia; e é com a paz que uma colheita de justiça é semeada pelos obreiros da paz. De onde vêm as guerras e as lutas que há entre vós? Não vêm precisamente das vossas paixões que se servem dos vossos membros para fazer a guerra? Cobiçais, e nada tendes? Então, matais! Roeis-vos de inveja, e nada podeis conseguir? Então, lutais e guerreais-vos! Não tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para satisfazer os vossos prazeres.
3ª Leitura - Do Evangelho de Marcos
Partindo dali, atravessaram a Galileia, e Jesus não queria que ninguém o soubesse, porque ia instruindo os seus discípulos e dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens que o hão-de matar; mas, três dias depois de ser morto, ressuscitará.» Mas eles não entendiam esta linguagem e tinham receio de o interrogar. Chegaram a Cafarnaúm e, quando estavam em casa, Jesus perguntou: «Que discutíeis pelo caminho?» Ficaram em silêncio porque, no caminho, tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos.» E, tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes: «Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas àquele que me enviou.»
 
Comentário às Leituras
A verdadeira Grandeza
I. A primeira leitura, do livro da Sabedoria, foi escrita em Alexandria, uma grande cidade do Egipto antigo, a capital intelectual da altura, poucas décadas antes de Jesus. Entre os muitos judeus que lá viviam, havia os que já se tinham entregue aos costumes pagãos, e aqueles que procuravam manter-se fiéis à Aliança e à Lei do Povo de Israel com Deus. Este excerto narra-nos o conflito entre eles…
Como sempre, a Fidelidade é uma provocação! E a provocação da Fidelidade pode gerar dois tipos de consequências: a conversão ou a violência.
A Fidelidade conduz à diferença e à contra-corrente, e isto leva muitas vezes à inimizade de uns quantos.
É por perceber bem isto que Jesus disse coisas como esta: “O Reino de Deus é para os que exercem violência!” (Mt 11, 12)
Não a violência do mundo, mas a violência das Bem Aventuranças, ou seja, a violência provocadora de uma Vida “ao contrário”, com critérios que viram do avesso a maior parte das leis do mundo.
Esta é a “violência não-violenta” que os discípulos de Jesus devem exercer (a única!) para expandir o Reino das Bem Aventuranças, contra todas as instalações, cobardias, poderes desumanizantes ou desânimos do Coração.
II. Este é o núcleo central da catequese que Jesus faz aos discípulos no texto do Evangelho: o Reino de Deus não acontece segundo as lógicas do mundo que premeia os violentos, mas segundo a lógica do Espírito que inspira os fiéis!
Jesus acabara de dizer aos Apóstolos que estaria disposto a morrer pelo Evangelho da Graça se a isso o conduzissem os poderosos do seu tempo, e apanha os seus próprios discípulos em flagrante a discutir as mesmas coisas!
Jesus acabara de dizer que estava disposto a morrer, mas nunca a matar, em nome da Verdade da Boa Notícia, e nem os seus o entendiam…
“Quem será o maior?”, perguntavam-se eles…
Se, ao menos, pensassem segundo a mentalidade de Cristo…
Os grandes segundo o mundo são aqueles com os quais os outros se sentem pequenos. Os grandes segundo o mundo gostam de sentir-se grandes tratando os outros como pequenos, seja com autoridade e domínio, seja com benevolência e caridade…
Mas os grandes segundo o Espírito de Cristo são aqueles com os quais os outros se sentem engrandecidos. Os grandes segundo o Espírito de Cristo gostam de sentir todos os Homens como seus iguais e irmãos. Não são grandes porque “empequenecem” os outros, mas são verdadeiramente grandes porque engrandecem os outros!
Por isso, a verdadeira grandeza fala sempre a linguagem da ternura, da docilidade, da tolerância, da alegria, da paz, da espontaneidade, da pureza de Coração e da beleza.
Jesus escolheu o rosto de uma criança para dizer tudo isto e acrescentou que o segredo da verdadeira grandeza é a disponibilidade para servir os irmãos e acolher todos os que, como crianças, precisam de outros para serem felizes.
III. O pedaço da carta de Tiago que hoje lemos fala-nos exactamente desta Sabedoria nova que vem de Cristo e emerge em nós pela acção do Espírito Santo. As perguntas sucedem-se, e podem resumir-se a isto: Qual é a causa do mal nas nossas relações e nas nossas comunidades? É o desejo da posse e do domínio. Daqui se gera a inveja, a luta e a violência.
A lógica do Reino é a lógica da generosidade e da partilha que é o segredo da abundância para todos.
A missão dos discípulos de Cristo é formarem comunidades em que se viva este espírito fraterno e solidário em relação a todas as dimensões da Vida e da Fé.
Que pena que ainda haja tanto caminho por fazer…

Messias, sim! Mas não esse, Pedro...

Domingo XXIV do Tempo Comum (B)
1ª Leitura - Do Livro de Isaías
O Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu não resisti, nem recusei. Aos que me batiam apresentei as espáduas, e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me ultrajavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio; por isso não sentia os ultrajes. Endureci o meu rosto como uma pedra, pois sabia que não ficaria envergonhado. O meu defensor está junto de mim. Quem ousará levantar-me um processo? Compareçamos juntos diante do juiz! Apresente-se quem tiver qualquer coisa contra mim. O Senhor Deus vem em meu auxílio; quem ousará condenar-me? Cairão todos esfrangalhados, como roupa velha, roída pela traça.
2ª Leitura - Da Carta de Tiago
De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: «Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé».
3ª Leitura - Do Evangelho de Marcos
Jesus partiu com os discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe. No caminho, fez aos discípulos esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?» Disseram-lhe: «João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um dos profetas.» «E vós, quem dizeis que Eu sou?» - perguntou-lhes. Pedro tomou a palavra, e disse: «Tu és o Messias.» Ordenou-lhes, então, que não dissessem isto a ninguém.
Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, e ser morto e ressuscitar depois de três dias. E dizia claramente estas coisas.
Pedro, desviando-se com Ele um pouco, começou a repreendê-lo.
Mas Jesus, voltando-se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo-lhe: «Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens.»
Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la.
 
Comentário às Leituras
"Messias", sim! Mas não esse, Pedro...
I. Muitas vezes o Povo de Israel confundiu o Poder Libertador de Deus com a força opressora ao jeito do mundo, a Palavra de Aliança de Deus com as leis e imposições ao jeito dos Homens poderosos, a Adoração “em Espírito e em Verdade” com o culto vazio e idolátrico das religiões pagãs…
Confundiu-se o Povo de Israel, e também se confundiu e confunde ainda muitas vezes o Novo Povo de Deus, a Igreja! Por isso, é fundamental o papel dos profetas como arautos da Verdade e da Liberdade de Deus, sempre ao contrário das lógicas opressoras do mundo.
É isso mesmo que proclama o profeta Isaías com esta linguagem do “Servo Sofredor de Deus”. Diante da opressão e da violência, o profeta proclama que a única resposta digna de um servo de Deus é a perseverança fiel.
Os profetas viram sempre as lógicas do mundo ao contrário, porque falam com Deus na boca! As vitórias de Deus na história decidem-se na fidelidade incondicional dos Seus Profetas, e nunca no domínio ou na violência “em Seu Nome”.
Na Igreja primitiva, os Apóstolos leram a fidelidade sem limites de Jesus à luz destes textos do “Servo Sofredor” de Isaías. Com efeito, também Jesus enfrentou cara-a-cara a infidelidade opressora dos poderosos do seu povo lutando unicamente com as armas da Palavra da Verdade a da Justiça, e fortalecido por uma Confiança incondicional no Poder Libertador do seu Abba.
II. No diálogo deste pedaço do evangelho de Marcos está o drama entre dois tipos de messianismo. Jesus perguntou aos Apóstolos sobre os “boatos” que corriam acerca dele… Toda a gente reconhecia em Jesus um continuador fiel dos profetas antigos. No entanto, Jesus cala-os para lhes fazer a pergunta fundamental da Fé: “E vós?! Face-a-face comigo, quem dizeis que eu sou?! Quem sou eu para vós?”
Pedro respondeu: “És o Messias!”
A resposta parece boa… Mas que tipo de Messias é que Pedro tinha na cabeça?...
Como quase todos os judeus, esperava um Messias da descendência do grande Rei David que conquistara e unificara o território de Israel pela sua força e poderio militar, cerca de mil anos antes. O Messias era esperado com características davídicas e viria purificar o seu povo de todo o pecado e impureza, em Nome de Deus. Como? Aniquilando os pecadores e destruindo todos os impuros!
No entanto, Jesus não se sente minimamente “atraído” por esse tipo de messianismo… Sente-se chamado a “anunciar uma Boa Notícia aos pobres e marginalizados, libertar os oprimidos e anunciar o tempo da Bondade Gratuita (Graça) de Deus!” (Lc 4, 18)
Em vez de querer formar o exército messiânico, Jesus está disposto a morrer pelo anúncio de um Reino de Deus assim! Em nome da libertação dos oprimidos pela força do Espírito Santo e em nome da Bondade Gratuita (Graça) de Deus, está disposto a morrer!
Pedro não aceita… Chama Jesus à parte e começa a repreendê-lo!!! Não era suposto o Messias ser assim…
“Saiu” muito Inesperado, o tão Esperado Messias de Israel… Não era suposto Deus ser tão Surpreendente na realização das Suas Promessas e na revelação dos Seus Dons!
Jesus chamou a Pedro “causador de divisão” (em hebraico: sathan; não é nenhum “senhorzinho mau com corninhos e rabinho” mas uma atitude de ruptura com a vontade de Deus e o bem do Homem) porque estava na lógica errada: “não compreendes as coisas segundo Deus mas apenas segundo os Homens!”
Depois, explica as verdadeiras atitudes do Discípulo:
“Renunciar a si mesmo” significa mudar de lógica: das lógicas do mundo que passam sempre pela opressão e pelo domínio à lógica do Espírito que é da Verdade e da Insurreição não violenta).
“Tomar a cruz” significa estar disposto a aceitar todas as consequências que acarretam as iniciativas proféticas, na certeza de que “o Amor é mais forte que a morte”.
“Seguir Jesus” significa não querer inventar outras maneiras nem outras lógicas para instaurar o Reino de Deus na história senão a luta evangélica segundo as Bem-Aventuranças!
III. Seguir Jesus significa também viver uma experiência de Fé consequente, “com obras” como diz a carta de Tiago. “A Fé sem obras-acções está morta”. Dizia Jesus: “A árvore conhece-se pelos seus frutos!” É pelas acções e iniciativas do Coração que dás provas da tua Fé…

"Effathá", Abre-te!

Domingo XXIII do Tempo Comum (B)

1ª Leitura – Do Livro de Isaías
Dizei aos que têm o coração entristecido:«Tomai ânimo, não temais!» Eis o vosso Deus, que vem para vos vingar. Deus vem, Ele mesmo, retribuir-vos e salvar-vos.
Então se abrirão os olhos do cego, os ouvidos do surdo ficarão a ouvir, o coxo saltará como um veado, e a língua do mudo dará gritos de alegria; porque as águas jorraram no deserto e as torrentes na estepe. A terra queimada mudar-se-á em lago, e as fontes brotarão da terra seca. No covil onde repousavam os chacais, crescerão canas e juncos.
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2ª Leitura – Da Carta de Tiago
Meus irmãos, não tenteis conciliar a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo glorioso com a distinção entre pessoas. Suponhamos que entra na vossa assembleia um homem com anéis de ouro e bem trajado, e entra também um pobre muito mal vestido, e, dirigindo-vos ao que está magnificamente vestido, lhe dizeis: «Senta-te tu aqui, num bom lugar», e dizeis ao pobre: «Tu, fica aí de pé»; ou «Senta-te no chão, abaixo do meu estrado.» Não é verdade que, então, fazeis distinções entre vós mesmos e julgais com critérios perversos?
Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?
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3ª Leitura – Do Evangelho de Marcos
Tornando a sair da região de Tiro, veio por Sídon para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. Trouxeram-lhe um surdo que mal falava e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele.
Afastando-se com ele da multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos e fez saliva com que lhe tocou a língua. Erguendo depois os olhos ao céu, suspirou dizendo: «Effathá», que quer dizer «abre-te.» Logo os ouvidos se lhe abriram, soltou-se a prisão da língua e falava correctamente. Jesus mandou-lhes que a ninguém revelassem o sucedido; mas quanto mais lho recomendava, mais eles o apregoavam.
No auge do assombro, diziam: «Faz tudo bem feito: faz ouvir os surdos e falar os mudos.»

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Comentário às Leituras
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- "Effathá", Abre-te! -
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I. Esta profecia de Isaías aconteceu no contexto do Exílio do Povo na Babilónia. A Boa Notícia da Consolação de Israel brota da certeza da Fidelidade de Deus, do qual o Profeta diz que “fará vingança ao Seu Povo”, ou seja, reconduzi-lo-á pelo caminho da Libertação.
Na cultura bíblica, a Libertação estava associada muuitas vezes à cura de doenças graves, porque estas eram consideradas como consequência de possessões de espíritos impuros ou castigo pelos pecados.
Por isso, Isaías proclama a acção libertadora de Deus como manifestação maravilhosa do Seu Poder sobre todos os “poderes” e do Seu Perdão sobre todos os pecados!
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Jesus de Nazaré viria a ser a Revelação e Realização máxima deste “Poder Perdoador” de Deus que se manifesta biblicamente na acção de curar…
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É essa a mensagem dos “milagres” nos evangelhos. Não são a proclamação de Jesus como curandeiro, mas como Libertador de Deus!
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II. Na semana passada o evangelho falava-nos da tensão entre Jesus e os fariseus por causa das suas tradições judaicas vazias, e da dificuldade que isso trazia no acolhimento da Boa Notícia do Mestre. Logo a seguir, aparece-nos este pedaço de evangelho, e não é por acaso que Marcos nos diz por onde Jesus andava: Tiro e Sidónia são duas grandes cidades pagãs a Norte de Israel, e a Decápole é uma extensa região pagã formada também por dez grandes cidades (em grego, deca-polis: dez cidades).
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O que o evangelista está simbolicamente a dizer é que Jesus está a formar um Novo Povo de Deus, sempre representado com o número 12. Israel era o Povo das doze tribos, e agora Jesus dilata o Povo de Deus a uma dimensão universal, pelo símbolo das doze cidades pagãs.
Por isso Jesus diz ao surdo, símbolo de todos os pagãos: “Abre-te!”. E toca-lhe os ouvidos para ouvir e a língua para falar. Isto significa que a Palavra de Deus começa a ser escutada e acolhida para além das fronteiras de Israel, e um Novo Povo se forma pelo anúncio do Reino de Deus.
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Nunca encontramos Jesus sentado numa secretária a escrever “mensagens espirituais”, nem numa poltrona à espera dos que viessem ter com ele para lhes ensinar as mais recentes doutrinas… Jesus está sempre A CAMINHO! Ele, “o Rosto visível de Deus” sempre a Caminho, o não-instalado e não-pretensioso…
A este Jesus Caminhante “trouxeram um surdo que falava com dificuldade para que lhe impusesse as mãos”. Mas Jesus não fez o que lhe pediram! Não lhe impôs as mãos. Retirou-o antes da multidão, abriu-lhe os ouvidos e soltou-lhe a prisão da língua...
Jesus é a revelação de um DEUS SEMPRE MAIS do que nós somos capazes de pedir, imaginar ou merecer. Um Deus que nos surpreende porque não coincide connosco! Deus é Amor, e o Amor é “sempre mais”, senão deixaria de ser Amor. Porque Deus é Amor, DEUS É SURPREENDENTE. Não se deixa vencer em generosidade, e toma sempre a iniciativa de superar a nossa capacidade de pedir, imaginar ou merecer o Seu Amor por nós.
Por isso, engrandece-nos, dá largas à nossa Vida e amplia-nos o Coração. E, acima de tudo, liberta-nos de todos os entraves a sermos verdadeiramente o que estamos chamados a ser, tal como libertou o surdo com quem se encontrou em Jesus.
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A primeira libertação não é ainda da surdez ou da prisão da língua, mas sim da multidão! É a primeira “doença” que nos costuma afectar… Esta multidão não é tanto um conjunto de pessoas que nos apertam de todos os lados e nos roubam a possibilidade de escolher para onde queremos ir, o que queremos ouvir e dizer. Essa é símbolo de uma multidão mais interior, a do Coração que não é livre, um Coração barulhento, em rebuliço, sempre apressado para nenhures, quase sempre intranquilo, cheio de coisas urgentes para resolver e distraído das importantes
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Jesus liberta-nos desta multidão na medida em que nos deixamos “afastar com ele da multidão”, e conduz-nos à intimidade consigo. Sim, é de intimidade que este encontro agora fala. Se reparares, agora tudo está sereno… já não há multidão, já não há caminho, já não há cidades… dois rostos apenas, na profundidade de um encontro transformador: Jesus toca, faz silêncio, levanta os olhos, suspira e sussurra uma só palavra: “Effathá” “Abre-te”, abre-te à Palavra nova que se diz e escuta na intimidade.
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“Abre-te”, abre-te à Palavra que te liberta de toda a surdez do Coração. As palavras da multidão ensurdecem! A Palavra de Jesus liberta e recria!
“Abre-te”, abre-te à Palavra que porá na tua língua palavras novas que não se deixam aprisionar nem te engasgam enquanto falas. As palavras da multidão prendem! A Palavra de Jesus solta a prisão de todas as línguas e recria os Homens no diálogo e na comunhão entre si.
Na intimidade com Jesus, libertos da multidão, abrem-se os nossos ouvidos à Palavra de Deus, e percebemos que ela coincide com o melhor de nós próprios e o melhor da Vida. Um Deus que é Amor não pode senão amar-nos e querer-nos Felizes!
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Então, soltamo-nos de muitas prisões, as da língua e todas as outras em que nos vamos deixando prender todos os dias em que andamos distraídos, e começamos a “falar correctamente”. O que é “falar correctamente”? É dizer o que deve ser dito, anunciar o que se escuta, fazer da boca eco do Coração, tornar-se Palavra Viva e fonte de Vida para todos os de Coração atento e disponível.
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A intimidade com Jesus torna-nos seus DISCÍPULOS, os que abrimos os ouvidos para escutar a sua Palavra, e torna-nos seus APÓSTOLOS, os que nos livramos de todas as prisões da língua para anunciar a sua Palavra e dar testemunho da sua acção: “Ele faz tudo bem feito!”
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III. A fidelidade a este Encontro, a esta Palavra e a esta Cura na Intimidade joga-se nas opções e iniciativas quotidianas. É isto que nos relembra a Carta de Tiago na segunda leitura. Os discípulos do "Cristo não-pretensioso de Deus" devem ser seus continuadores verdadeiros na atitude de simplicidade e fraternidade que derrota todas as barreiras criadas pelos preconceitos.
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Até dentro da Igreja ainda devemos aprender bem tudo isto… Aprender que neste Corpo Histórico de Cristo há diferença de funções, missões, carismas e serviços, mas não podemos nunca permitir diferenças de dignidade!!!

O perigo de se "armar em Deus!"

Domingo XXII do Tempo Comum (B)
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1ª Leitura – Do Livro do Deuteronómio
«Agora, Israel, ouve as leis e os preceitos que eu hoje vos ensino. Ponde-os em prática para que vivais e chegueis a possuir a terra que o Senhor, Deus dos vossos pais, vos há-de dar.
Nada acrescentareis ao que hoje vos prescrevo e nada eliminareis, guardando os mandamentos do Senhor, vosso Deus, tal como eu vos prescrevo. Observai-os e ponde-os em prática, porque isso manifestará a vossa sabedoria e a vossa inteligência aos olhos dos povos que, ao terem conhecimento de todas estas leis, dirão: ‘Que povo sábio e inteligente é esta grande nação!’ Com efeito, que grande nação haverá que tenha um deus tão próximo de si como está próximo de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que o invocamos? E que grande nação haverá, que possua leis e preceitos tão justos como esta lei que eu hoje vos apresento?

2ª Leitura – Da Carta de Tiago
Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudanças nem períodos de sombra.
Por sua livre decisão, nos gerou com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das suas criaturas. Recebei com mansidão a Palavra em vós semeada, a qual pode salvar as vossas almas. Mas tendes de a pôr em prática e não apenas ouvi-la, enganando-vos a vós mesmos. A religião pura e sem mácula diante daquele que é Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo.

3ª Leitura – Evangelho de Marcos
Os fariseus e alguns doutores da Lei vindos de Jerusalém reuniram-se à volta de Jesus,
e viram que vários dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar. É que os fariseus e todos os judeus em geral não comem sem ter lavado e esfregado bem as mãos, conforme a tradição dos antigos; ao voltar da praça pública, não comem sem se lavar; e há muitos outros costumes que seguem, por tradição: lavagem das taças, dos jarros e das vasilhas de cobre. Perguntaram-lhe, pois, os fariseus e doutores da Lei: «Porque é que os teus discípulos não obedecem à tradição dos antigos e tomam alimento com as mãos impuras?» Respondeu: «Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, quando escreveu:Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
Vazio é o culto que me prestam e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos.
Descurais o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens.»
Chamando de novo a multidão, dizia: «Ouvi-me todos e procurai entender.
Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro.
Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos, as prostituições, roubos, assassínios,
adultérios, ambições, perversidade, má fé, devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios. Todas estas maldades saem de dentro e tornam o homem impuro.»
Comentário às Leituras
- O perigo de se "armar em Deus"! -
I. Nos tempos em que o Povo de Israel não tinha o Templo de Jerusalém, era conduzido pelos Profetas a experimentar verdadeiramente que Deus Se fazia presente ao Povo pela Palavra que lhe comunicava, ou seja, pela Revelação progressiva do Seu Projecto Salvador-Libertador.
Nos “tempos da infidelidade”, como lhe chamavam os Profetas, o Povo julgava que a proximidade de Deus se realizava pelos cultos vazios do Templo, pelos sacrifícios rituais e pelo cumprimento farisaico de todas as normas vigentes por tradição ou imposição sacerdotal.
Mas esse não foi o caminho escolhido por Deus…
“Deus está perto de nós” pela Palavra que nos comunica e pelo Caminho de Libertação que nos rasga diante dos olhos! A nossa fidelidade joga-se no esforço de pormos os pés a Caminho do Horizonte que os olhos vêem…

II. Deus tinha pedido ao Seu Povo que ninguém acrescentasse nada à Sua Palavra, ou seja, que ninguém “se armasse em Deus”! É sempre um perigo os Homens inventarem preceitos e normas por si próprios e depois chamarem-lhes “Lei de Deus” ou “Vontade de Deus”. Ao longo de toda a história foi sempre fonte de graves injustiças: as cruzadas cristãs medievais, ou as actuais jihad islâmica e utopia messiânica judaica são exemplos bem evidentes disso!
No tempo de Jesus, o judaísmo tinha deixado praticamente de ser a experiência agradecida do Deus Libertador de todas as escravidões e opressões, e tinha-se tornado um conjunto de rituais e obediências vazias de significado.
Neste episódio da desobediência de Jesus aos preceitos tradicionais da “purificação”, é-nos revelado o perigo de ritualizarmos a nossa relação com Deus e de legalizarmos a Sua Vontade.
Querer colocar-se em lugar de Deus e trocar a Sua Palavra permanentemente Viva pelas tradições ressequidas dos Homens e pelas doutrinas bafientas das religiões é meio caminho andado para muitas injustiças. É exactamente por isso que ainda hoje há, na Igreja, milhares de pessoas injustiçadas e empobrecidas por causa das leis daqueles que julgam ser donos da Vontade de Deus e autores da Sua Verdade: os divorciados recasados ou os homossexuais, por exemplo.

Cristo precisa de Discípulos livres de todas as cadeias legalistas, Apóstolos decididos que partam as distinções pecaminosas entre “puros e impuros”, “estar em estado de graça e não estar em estado de graça”! Cristo precisa hoje ainda de Profetas capazes de viver e morrer pela causa do Reino de Deus que implica a libertação de todos os oprimidos na sua vontade ou na sua consciência.

III. Como diz a Carta de Tiago: “Ser ouvinte da Palavra e não seu cumpridor é um engano! A religião pura e sem mancha aos olhos de Deus (não aos olhos dos fariseus…) consiste em ajudar os órfãos e as viúvas (expressão bíblica para designar todos os marginalizados) nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo (porque os critérios do mundo são muito parecidos com as lógicas farisaicas: comparação, juízo, rivalidade e opressão).