Nascimento de João Baptista 24|Jun|2007


Domingo XII do Tempo Comum (C)
Solenidade do Nascimento de João Baptista

1ª Leitura - Do Livro de Isaías
Is 49,1-6


«Ouvi-me, habitantes das ilhas,
prestai atenção, povos de longe.
Quando ainda estava no ventre materno, o Senhor chamou-me,
quando ainda estava no seio da minha mãe,
pronunciou o meu nome.
Fez da minha palavra uma espada afiada,
escondeu-me na concha da sua mão.
Fez da minha mensagem uma seta penetrante,
guardou-me na sua aljava.
Disse-me: «Israel, tu és o meu servo,
em ti serei glorificado.»
Eu dizia a mim mesmo: «Em vão me cansei,
em vento e em nada gastei as minhas forças.»
Porém, o meu direito está nas mãos do Senhor,
e no meu Deus a minha recompensa.
E agora o Senhor declara-me
que me formou desde o ventre materno,
para ser o seu servo,
para lhe reconduzir Jacob,
e para lhe congregar Israel.
Assim me honrou o Senhor.
O meu Deus tornou-se a minha força.
Disse-me: «Não basta que sejas meu servo,
só para restaurares as tribos de Jacob,
e reunires os sobreviventes de Israel.
Vou fazer de ti luz das nações,
para que a minha salvação chegue até aos confins da terra.»


2ª Leitura - Dos Actos dos Apóstolos
Act 13,22-26


Deus elevou David como rei, e a seu respeito deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas vontades.’
Da sua descendência, segundo a sua promessa, Deus proporcionou a Israel um Salvador, que é Jesus. João preparou a sua vinda, anunciando um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. Quase a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas vem, depois de mim, alguém cujas sandálias não sou digno de desatar.’ Irmãos, filhos da estirpe de Abraão, e os que de entre vós são tementes a Deus, a nós é que foi dirigida a palavra de salvação.


3ª Leitura - Do Evangelho de Lucas
Lc 1,57-66.80


Chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas, tomando a palavra, a mãe disse: «Não; há-de chamar-se João.» Disseram-lhe: «Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.» Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: «O seu nome é João.»
E todos se admiraram.
Imediatamente a sua boca abriu-se, a língua desprendeu-se-lhe e começou a falar, bendizendo a Deus.
O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos, e por toda a montanha da Judeia se divulgaram aqueles factos.
Quantos os ouviam retinham-nos na memória e diziam para si próprios: «Quem virá a ser este menino?» Na verdade, a mão do Senhor estava com ele.
Entretanto, o menino crescia, o seu espírito robustecia-se, e vivia em lugares desertos, até ao dia da sua apresentação a Israel.




Comentário às Leituras

"CARTA A JOÃO BAPTISTA"


V. N. de Gaia, 24 de Junho de 2007

Amigo João Baptista, gosto de ti.
Gosto de ti como gosto de todos aqueles que estão dispostos a assumir até à morte as consequências da Verdade que amam e anunciam. Por isso te admiro, porque não viraste a cara à Verdade mesmo quando ela se tornou prisão, mesmo quando Herodes te pôs olhos nos olhos com a morte.
Eras forte, bom, verdadeiro, admirável, mas não estavas ainda preparado para acolher um Messias tão Inesperado como Jesus de Nazaré. Reconheceste que ele era o Esperado, anunciaste-o, apontaste-o… mas não contavas que ele fosse tão Inesperado
Não era assim que tu o tinhas anunciado: “O machado já está posto à raiz da árvore, e todo aquele que não dá fruto será cortado e lançado fora. Depois de mim virá aquele que tem toda a autoridade. Já empunha a pá para limpar a eira: recolherá o trigo no celeiro, e queimará a palha num fogo que não se apaga…” (Mt 3, 10-12)

Anunciavas o Messias que viria realizar o Dia da Ira de Deus anunciado pelos profetas antigos, dia em que Deus destruiria todo o pecado pela morte dos pecadores, dia em que purificaria a Humanidade aniquilando todos os impuros. Era assim que todos os judeus esperavam o Messias. Também tu…

E Jesus percorria os caminhos poeirentos da Palestina anunciando a Boa Notícia de um Deus que não é senão Amor, infinito poder de Perdão e Recriação dos corações adormecidos na tristeza e na angústia.
Revelava nos seus gestos e palavras libertadoras uma inesperada intimidade com todos os pecadores e impuros. Levantava a voz e apontava o dedo, com acusações proféticas, a todos os que se consideravam perfeitos e puros, os que faziam do Templo a sua segunda casa, mas cujo coração não era casa onde Deus pudesse habitar.
Jesus, o Messias Diferente…
O Esperado Inesperado
Tão inesperado, querido amigo João, que até tu começaste a duvidar… e mandaste perguntar-lhe: “Mas, afinal, és tu ou não o que esperávamos? Quando começas a libertação anunciada por Deus no Seu Messias?” (Mt 11, 3)
E lembras-te, João, do que Jesus te respondeu?...

“Ide dizer a João, meu grande amigo:
Deus ama infinitamente a Humanidade, e é-Lhe impossível ficar indiferente ao pecado, porque a corrói por dentro e a bloqueia de ser o que está chamada a ser. Mas o coração de Deus vê mais longe e mais fundo que o dos Homens. Para destruir o pecado, Deus não destrói o pecador; antes, o recria! O pecado é destruído pela Recriação interior do pecador por acção do Espírito Santo. O Espírito Santo é o Amor de Deus que vai ser derramado no coração de toda a Humanidade na minha Ressurreição.
João, por fidelidade à Verdade, aqueles que te prenderam e estão a pensar matar-te, também me matarão a mim. É impossível que não o façam… a Verdade é provocadora demais para eles não a calarem. E, no confronto directo, a Verdade está sempre do lado mais frágil, porque não se impõe pela força. Mas, no fim, acaba sempre por ganhar, não é?...
João, tens razão no que anuncias. O Messias veio para purificar e recriar a Humanidade, menina dos olhos de Deus. Mas, porque Deus é Amor, a Purificação acontece no coração dos Homens pela sua capacidade de acolher e fazer Perdão. O caminho não é destruir…
Porque Deus é Amor, a Recriação acontece no coração dos Homens que forem fiéis aos apelos discretos do Espírito Santo que receberão na minha Ressurreição. O caminho não é castigar…
Amigo João, quem dera que entendas de verdade o que te digo…
Quem dera que limpes da tua cabeça e das tuas palavras essas imagens de Messias que Deus não me pede para ser. Conseguirás?... Sei que o teu coração é fiel ao Bom Deus, por isso acredito que serás capaz de compreender que o Messias Esperado dos judeus está a acontecer na história dos Homens como o Messias Inesperado de Deus. E Deus é Amor. Por isso, João, não serei senão Palavra libertadora do Amor e Acção recriadora do Amor para todos, principalmente os impuros e pecadores, os mais pequenos, que costumam ser os mais disponíveis…”

Lembras-te, João, daquele dia em que Jesus te disse estas coisas todas?


Um grande abraço deste teu amigo,
Rui Santiago cssr


1 comentário:

chuva fria disse...

Gostei muito desta carta pessoal a S. João. :)